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16 de mai de 2026 · política · 5 min de leitura

Júnior Mano cresceu 218% em quatro anos. Como?

Em 2018, era suplente com 67 mil votos. Em 2022, eleito com 216 mil. A explicação não é onde — é como.

Por Vertori

Em outubro de 2018, Antônio Júnior Mano Filho (Patriota) terminou a eleição para deputado federal pelo Ceará na suplência: 67.917 votos válidos. Quatro anos depois, com novo partido (PL) e mesmo número, foi o segundo mais votado da legenda no estado e o segundo no PL do Ceará em geral — 216.531 votos, atrás apenas de André Fernandes.

+218,8%+148.614 votos

Crescimento de votos válidos de Júnior Mano entre 2018 e 2022 — saiu da suplência e foi eleito deputado federal.

Uma leitura preguiçosa atribuiria isso à onda nacional do PL em 2022. Mas a base do Ceará é PT, e o número absoluto de votos de Júnior Mano vai muito além do que o efeito-onda explica. A explicação está no território — e na forma como ele se redistribuiu.

Não foi expansão, foi adensamento

Em ambos os anos, Júnior Mano recebeu votos em 180 municípios do Ceará — exatamente o mesmo número. Não foi um movimento de expansão geográfica. O que mudou foi o quanto ele tirou de cada lugar.

Em 2022, foi o candidato a deputado federal mais votado em 17 municípios cearenses. Esteve entre os três primeiros em 38. Entre os cinco mais votados, em 46. Para uma legenda que tradicionalmente sequer apresentava chapa robusta no estado, é uma performance que reorganiza partidos.

Municípios onde Júnior Mano mais cresceu (2018 → 2022)

MunicípioVotos 2018Votos 2022Δ absoluto
Eusébio1.45810.856+9.398
Pacatuba2049.460+9.256
Aquiraz4.76512.700+7.935
Beberibe2557.923+7.668
Nova Russas6.02313.312+7.289
Itaitinga3327.602+7.270
Crateús1.6718.241+6.570
Boa Viagem1596.616+6.457
Fortim85.870+5.862
Russas725.703+5.631

Δ absoluto = votos 2022 menos votos 2018. Fonte: TSE, votação por seção agregada por município.

Dois territórios, dois caminhos

Os dez municípios onde ele mais ganhou votos contam uma história em duas pernas. De um lado, a Região Metropolitana de Fortaleza — Eusébio, Pacatuba, Aquiraz, Itaitinga — cinturão de cidades-dormitório onde o eleitor é jovem, com baixa renda e alta circulação para a capital. De outro lado, o Sertão Central e os Inhamuns — Nova Russas, Crateús, Boa Viagem — onde o capital político é construído com tempo de presença e relação cara-a-cara.

Não são lugares parecidos. O que une é o tipo de candidato que cresce neles: alguém que combina mídia digital com perna no chão. Júnior Mano não tinha massa de mídia tradicional em 2018; em 2022, construiu rede própria. Onde a rede pegou, ele saltou de 200 votos para 9 mil.

O que isso tem a ver com a próxima eleição

Crescimento dessa magnitude em quatro anos não é replicável só pela vontade. Mas a forma é replicável: identificar municípios pequenos a médios com pouca cobertura de outros candidatos, fincar presença, construir base. Em 2022, mais de uma dúzia de deputados federais no Ceará seguiram alguma versão desse roteiro. Júnior Mano só fez de forma mais visível.

Para 2026, o desafio dele é diferente: defender um mandato que dobrou de tamanho em uma legislatura. Quem assistir só ao número total vai perder o ponto. O que importa é se os 17 municípios onde ele chegou em primeiro vão segurar.